Uma gota de chuva sobre inovação

Muito já foi dito, escrito e ensinado sobre inovação. Saiba como aplicar inovação de três formas


São incontáveis os livros, artigos, cursos, vídeos e materiais diversos sobre o tema inovação. Autores que abordam grandes cases de sucesso como o de Steve Jobs, Bill Gates, Jeff Bezos… em toda livraria você verá os livros sobre inovação da Disney e do Starbucks.

Você já se perguntou: o que é inovação?

Seria fazer diferente? Fazer melhor? Criar algo do zero? O dicionário Merriam-Webster define inovação como “uma nova ideia, método ou objeto” e “a introdução de algo novo”.

Bem, vou sumarizar o que penso sobre inovação, especialmente do ponto de vista da engenharia. Vamos lá:

1. Encontrar o novo

Ou, simplesmente, “criar”. Não vou me estender em definições e termos aqui, mas entendo que “encontrar o novo” é simplesmente mais explicativo do que o verbo criar.

Sabemos que o universo é regido por certas leis. Essas leis foram vagarosamente encontradas por pensadores e grupos de cientistas ao longo do tempo. Graças ao Isaac Newton, conhecemos as forças gravitacionais.

Sabemos que uma gota de chuva está em queda livre em aceleração aproximada de 9,81 metros por segundo ao quadrado – tudo isso graças a teoria gravitacional newtoniana.

Na época de Newton, isso era uma grande novidade. Apesar da intuição humana, até então não havia registro claro sobre uma teoria gravitacional. Mas Newton, com sua maçã, simplesmente criou a gravidade? É claro que não, mas refletiu e pôde promover a sua teoria com base em experimentos que estavam ao seu alcance.

Encontrar o novo (que já existe, mas, muitas vezes não foi descoberto ou desvendado) é a forma mais desafiadora de se chegar a uma inovação.

2. Montar o novo

Agora já facilita a nossa vida!

Montar o novo está mais próximo das realidades da maioria de nós, inclusive no sentido comercial da inovação. Podemos pensar em um exemplo clássico antes de qualquer definição: o computador pessoal.

Antes do computador pessoal, já existiam diversos tipos de computadores. Entretanto, o formato deles não permitia portabilidade, sendo chamados de mainframes. Eles ficavam presos no ambiente onde estavam instalados: escolas, universidades, indústrias, escritórios… Não havia o mínimo de portabilidade.

Além do formato, precisamos também considerar a usabilidade do sistema operacional que os computadores tinham. Veja como era a tela do antigo sistema operacional da Microsoft, o MS-DOS:

Este IBM-PC você já conseguiria ter em casa, entretanto, o que você vê na tela era o layout (se assim podemos chamar) do sistema operacional MS-DOS. Não é tão fácil de usar, concorda? Você precisaria aprender e decorar vários comandos de terminal para conseguir utilizar o computador.

Hoje temos interfaces gráficas de usuário que abstraem toda a complexidade dos comandos de terminal para uma interface fácil de usar e intuitiva, reduzindo, assim, a curva de aprendizado para se utilizar um computador. Na época do MS-DOS, você precisava comprar um livro para lhe ensinar todos os comandos.

A inovação da computação pessoal que vivemos e das interfaces gráficas de usuário têm origem, principalmente, no Palo Alto Research Center (PARC), pertencente à empresa Xerox. A icônica visita do Steve Jobs ao PARC, em Palo Alto na Califórnia, foi contada por diversos livros, vídeos, entrevistas e filmes – foi um momento histórico.

No PARC, Jobs viu a interface gráfica desenvolvida para impressoras Xerox. Apesar da interface estar voltada para impressora, Jobs conseguiu ter a visão da interface aplicada à tela do computador, feito que a Apple trouxe no computador chamado de Lisa e no Macintosh.

(Como curiosidade, muitos autores consideram que a Xerox foi a empresa que menos se beneficiou da sua própria divisão de pesquisa, o PARC. Invenções como a interface gráfica de usuário (GUI) e programação orientada ao objeto (OOP) foram altamente exploradas por empresas como a Apple, Microsoft e Sun. A revolução do computador pessoal estava prestes a acontecer com as tecnologias formuladas no PARC, enquanto a Xerox focava sua atuação no mercado de impressão. Pesquisadores serão pesquisadores. Empreendedores serão empreendedores.)

“A Apple inventa o computador pessoal. Novamente.”

Veja como os elementos da tela do Lisa se aproximam dos sistemas operacionais atuais. Podemos afirmar que são praticamente feitos do mesmo molde. Além disso, a interface gráfica quebra as camadas de complexidade que tínhamos nas versões anteriores, aumentando o tamanho de mercado para a computação pessoal.

Essa frase me chamou atenção do ler um blog nos confins da internet

“Eu não compro um computador para aprender sobre computação, da mesma forma que não compro um refrigerador para aprender sobre refrigeração” Dick Rumage

Hoje, carregamos interfaces altamente intuitivas em nossos bolsos. Ao pegarmos um smartphone em mãos, não precisamos ler grandes manuais para aprender o que fazer – todo o processo é intuitivo. A origem disso foi no PARC, da Xerox, empresa que não conseguiu colher bons frutos de seu próprio laboratório de pesquisa, mas que redefiniu a indústria de tecnologia global com inovações como a interface gráfica de usuário e a programação orientada a objetos.

Cada vez mais, percebo o poder do verbo “montar” que escolhi para o título deste tópico. Um computador é montado, assim como um software, nos dias atuais, é montado. A criação é justamente o diferencial competitivo da invenção em questão. Ao analisarmos um smartphone, por exemplo, seu diferencial competitivo é o arranjo de componentes eletrônicos (muitas vezes 100% comprados de fornecedores externos), bem como seu sistema operacional.

Perceba que inovação está ligada a design. O design tornou-se propriedade intelectual no século XX. Com o desenho em mãos, você consegue contatar uma empresa do outro lado do mundo para produzir componentes em grande escala e realizar a montagem de sua invenção. Claro, isso se aplica a inúmeros segmentos como o de eletrônicos, roupas, brinquedos, máquinas indústrias, entre outros.

Montar o novo é combinar e recombinar componentes existentes no mercado para se inovar.

3. Melhorar o existente

Pablo Picasso uma vez disse: “Bons artistas pegam emprestado. Excelentes artistas roubam”.

Mas não interpretemos Picasso ao pé da letra. Melhorar o que já existe é a mais nobre tarefa de quem busca inovação. Empresas e organizações desenvolveram diversos produtos, processos e metodologias e esses devem ser melhorados ao longo do tempo.

Um dos mais fascinantes casos de inovação que me vem à cabeça é o da produção de insulina. Antes dos anos 1980, os diabéticos recebiam insulina produzida pelo pâncreas de vacas e porcos, o que era efetivo, porém causava reações alérgicas a inúmeros pacientes. Em 1978, a partir de engenharia genética, a insulina humana foi produzida por bactéria – uma invenção biossintética, onde a mesma insulina que o pâncreas humano fabrica pode ser produzida por bactérias a partir do recorte da fita do DNA. Portanto, as reações alérgicas diminuíram.

E aí, por onde você vai começar?

Minha foto favorita de Pablo Picasso. Autenticidade personificada.

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